Doença celíaca -
Gastroenterologista
A importância do tratamento
A doença celíaca é uma enfermidade do intestino
delgado, geneticamente determinada, que é precipitada pela ingestão de glúten .
É a doença genética mais comum da Europa. Na Itália 1 em cada 250 pessoas tem
esta doença. Infelizmente no Brasil ainda não há estatísticas precisas.
Existem dois fatores importantes que contribuem para o desenvolvimento de doença
celíaca: a ingestão de glúten e a carga genética do indivíduo.
A ingestão de glúten: Uma proteína insolúvel, o glúten, encontrado no trigo, tem
sido identificado como a substância agressora. A decomposição do glúten forma
proteínas menores, chamadas gliadinas, que são capazes de precipitar os sintomas
em indivíduos celíacos previamente assintomáticos. Os grãos de centeio, cevada e
aveia, possuem proteínas muito semelhantes e, portanto, também são capazes de
exacerbar a doença celíaca.
A carga genética do indivíduo: a doença celíaca é familiar. Os parentes de
primeiro grau de indivíduos com doença celíaca podem ou não manifestar os
sintomas da doença.
O início da doença mais comumente se dá ao redor dos dois anos, após o trigo ter
sido introduzido na dieta, ou em adultos jovens (entre 20 e 40 anos).
Entretanto, a doença celíaca poder começar em qualquer idade. Em indivíduos
susceptíveis, o glúten desencadeia uma reação inflamatória no intestino delgado,
que resulta em diminuição da superfície de absorção de nutrientes, fluidos e
eletrólitos. A extensão da área de absorção perdida é que determina a
intensidade dos sintomas que o indivíduo com doença celíaca desenvolverá.
O intestino delgado, para desenvolver as suas funções de absorção de nutrientes,
fluidos e eletrólitos, apresenta uma mucosa bastante pregueada, o que aumenta a
superfície de contato. Na doença celíaca ocorre um achatamento progressivo deste
epitélio que reduz a superfície de absorção.
Os sintomas são variáveis de acordo com a faixa etária. Em crianças, o quadro
clássico é representado pela diarréia crônica, distensão, dor abdominal e
desnutrição. Vômitos, constipação, irritabilidade, anorexia, baixa estatura,
entre outros, são sintomas menos característicos.
O paciente com doença celíaca pode ter sintomas severos, tais como fraqueza,
diarréia e perda de peso.
Alguns indivíduos apresentam fadiga e anemia sem nenhum sintoma relacionado ao
trato gastrointestinal. Tais indivíduos provavelmente têm uma doença limitada à
porção inicial do intestino delgado, que é responsável pela absorção normal de
ferro. O restante do intestino delgado funciona adequadamente para a absorção de
nutrientes e fluidos.
Outras manifestações da doença celíaca incluem doença dos ossos (osteoporose),
da pele e, mais raramente, desordens neurológicas.
Também, a presença de algumas doenças sabidamente associadas podem levar o
médico a suspeitar do diagnóstico, como exemplos: dermatite herpetiforme,
doenças da tireóide, lúpus eritematoso sistêmico, diabetes tipo 1, doenças
hepáticas, doença vascular, artrite reumatóide, síndrome de Sjögren.
O diagnóstico é suspeito pelo médico ao realizar a história clínica e o exame
físico e é confirmado através de exames complementares. Atualmente dispomos de
exames laboratoriais (auto-anticorpos: anti-gliadina, anti-endomísio e
anti-transglutaminase), que auxiliam no diagnóstico, no rastreamento de parentes
e em alguns casos no acompanhamento dos pacientes portadores da Doença Celíaca.
Ainda hoje, a biópsia do intestino delgado é o padrão ouro para confirmar o
diagnóstico. A remoção do glúten da dieta dos indivíduos com doença celíaca, ou
sensibilidade ao glúten, resulta em regeneração da superfície absortiva
intestinal, além da resolução dos sintomas na maioria dos pacientes.
Evitar o glúten da dieta requer exame minuncioso dos rótulos das embalagens dos
alimentos, pesquisando a presença de trigo ou outros grãos, tais como centeio,
cevada e aveia. Produtos rotulados como sem trigo não necessariamente são sem
glúten. Alguns alimentos comuns que não podem ser consumidos são o pão, massas,
macarrão e pizza. Existem companhias que produzem produtos sem glúten, feitos
predominantemente de arroz.
A maioria dos pacientes tratados com uma dieta livre de glúten notará uma
melhora dos sintomas em 2 semanas. Um pequeno grupo de pacientes terá uma
resposta parcial ou não responderá à dieta livre de glúten. A causa mais
importante desta resposta inadequada à dieta é a ingestão continuada, de forma
inadvertida, de glúten através de alimentos tidos como “sem” glúten ou através
da não aderência do paciente ao plano de dieta.
Os argumentos em favor do tratamento incluem o óbvio alívio dos sintomas nos
pacientes sintomáticos e, nos que são assintomáticos, há duas razões para eles
manterem uma dieta livre de glúten: um subgrupo destes pacientes progredirá para
uma forma mais severa da doença, desenvolvendo assim sintomas, e sabe-se que
existe uma incidência aumentada de tumores, principalmente do intestino delgado,
em indivíduos com doença celíaca, sendo que esta incidência torna-se igual à da
população geral, com o seguimento da dieta.