DRA. SILVIA SCHAEFER TAVARES

Doutora em Odonto-Pediatria pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Especialista em Medicina Oral pela Universidade Complutense de Madri.

 

 

Alterações dentais relacionadas à Doença Celíaca

A doença celíaca embora não sendo uma doença que altere diretamente a formação dos dentes, geralmente resulta em uma diminuição de absorção de suprimentos adequados de cálcio, fósforo e vitamina D, substâncias necessárias para a mineralização adequada de ossos e dentes.


 

Nos pacientes não tratados ou naqueles com diagnóstico tardio, estas deficiências nutricionais podem ocasionar alterações nas estruturas dentais.

A coroa dos dentes de leite se forma do quarto mês de gestação até o primeiro ano de vida enquanto os permanentes começam a se mineralizar no primeiro mês de vida e aos sete anos de idade uma criança já está com praticamente todas as coroas dos dentes permanentes completas (menos o dente do “juízo”). Assim, diferentes dentes estão sujeitos aos riscos de sofrerem alterações em diversos períodos da vida. Um dente depois de formado não será mais remodelado e como a doença celíaca geralmente se manifesta entre o primeiro e o segundo ano de vida, os dentes em desenvolvimento neste período (incisivos e primeiros molares permanentes) poderá ter um defeito estrutural. Dentes de leite geralmente não são afetados nos pacientes celíacos. Quando a doença celíaca ocorre na fase adulta não existe nenhuma repercussão na estrutura dos dentes.

O tipo de alteração dental do paciente celíaco será o aparecimento de um defeito hipoplástico, ou seja, uma “falha” na formação do esmalte, manifestada clinicamente como mancha, fenda, sulco, perda parcial de estrutura

ou falha na superfície dental. Estes indivíduos terão maior chance de desenvolver lesões de cárie do que aqueles que não possuem o defeito, além de poder haver um comprometimento estético.

Estudos científicos comprovam uma relação direta entre doença celíaca e defeito de esmalte e quanto mais cedo o paciente iniciar o controle, menor número e gravidade de dentes permanentes afetados. Como a severidade da doença pode variar de pessoa para pessoa, assim como a sensibilidade à exposição ao glúten, sem todos os pacientes vão apresentar estes problemas dentais, mas crianças não tratadas ou que apresentam as formas mais graves da doença apresentam significante aumento dos defeitos na formação do esmalte do dente.

Em virtude da maior tendência à cárie, pacientes celíacos deverão ter uma atenção odontológica redobrada. Cuidados preventivos devem ser iniciados precocemente através do controle do consumo de açúcares, escovação regular, terapias com flúor, diagnóstico precoce e tratamento (quando necessário) das lesões hipoplásticas.

DRA. SILVIA SCHAEFER TAVARES

Doutora em Odonto-Pediatria pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Especialista em Medicina Oral pela Universidade Complutense de Madri.

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e-mail: silvia@ig.com.br